22/02/2009

Luxos


Esta vida de expatriada permite-nos luxos. Daqueles que não é pra quem quer, só para quem pode!

Neste país dependente das importações, que podia ter tudo, mas que muito falta, os preços dos bens de primeira necessidade para expatriados têm preços anormalmente elevados.

Anormalmente para quem acaba de chegar, porque passado algum tempo deixam de se fazer tantas contas, tantas comparações....deixa de se estranhar.

O meu luxo, nas últimas semanas foi comprar... tomates.

Sentia saudades da saladinha. E começei a cometer a loucura de pagar (esquecendo arredondamentos) cerca de 10€ por um kg de tomates importados.

Luxos....

16/02/2009

Abastecimento


Ora no domingo demorei, pela primeira vez, 2 horas a abastecer o meu Jimmy. E digo pela primeira vez pois é uma situação mais frequente do que seria de imaginar num país produtor de petróleo.

De facto produz, mas tem "deficit" na refinação e distribuição.

Em média uma hora é bem precisa para abastecer. E paciência. Uma dose bem grande.

13/02/2009

Esta noite choveu


E foi a primeira vez que vi chover em África.
Numa outra visita a Luanda, em que andavamos acompanhadas de motorista, começamos a ver uns pingos de chuva comentamos: "Está a chover!"
Diz o motorista: "Senhora, isso não é chuva. Veja. As mulheres e crianças não saem da rua."
Ele tinha razão.
Esta noite, de facto, choveu. E apesar do sono pesado, deu para acordar com o barulho do dilúvio.
Hoje está tudo mais limpo e fresco.
Dizem que quem vê chover em Angola, quem sente o cheio da terra molhada, não consegue mais afastar-se deste país.
Há qualquer coisa que nos prende.... mas se eu ainda não tinha sentido a chuva......

12/02/2009

Já tenho companhia!

Chegou ontem a minha nova colega tuga. Vai ficar lá em casa.
A primeira vez em a Angola.
É giro ver as certezas que as pessoas "trazem na bagagem". Já ouviram tudo, já esperam tudo. Teoria!
Modéstia à parte, tem muita sorte de me ter à espera. Digo eu....

10/02/2009

O Adilson


Ontem foi o meu primeiro dia no ginásio. Fica na Ilha, com uma vista lindíssima para a baía. Serviço 5 estrelas.
E foi o dia em que conheci o Adilson.
Já o tinha visto por ali, mas sem lhe prestar muita atenção. Não tem mais que 8/9 anos, uma cara laroca, uns olhos meigos.
A: “É você a mádrinha do Suzuki?”
H: Sim, sou eu. Como sabes?
A: “Disculpa…. eu dêcorei esse sinal…..”
Uma ternura. Acho que o Adilson vai ser a minha companhia diária na curta distância que separa o ginásio do estacionamento.

Agrada-me essa ideia.

05/02/2009

O feriado de 4 de Fevereiro






É um dia importante para o Angolanos. Celebram o início da luta armada.

Para os tugas, é um bom dia para descansar.

Desta feita o convite foi para um passeio de barco ao longo da costa.

A saída foi na baía de Luanda (aqui ilustrada).

Uma tarde bem passada. Muito descanso, com vistas lindíssimas da costa.

2º fim de semana






Já tenho direito a convite dos novos amigos para um fim de semana no “campo”.
Convívio com os amigos e os amigos dos amigos no sábado.
No domingo o passeio foi ao Sumbe, para ver as quedas d’água no rio Keve.
Com passagem em Porto Amboim e muitas aldeias pelo caminho.
Um dia a não esquecer.


01/02/2009

Quanto ao primeiro fim de semana...


...para mim começa às 12h.
E não é ao meio dia. Por cá os dias têm mesmo 24 horas.
Às 14h00 almoçei com o meu novo grupo de amigos, no Quinta da Tia Guida. Uma garoupa grelhada acompanhada de batata doce, banana e mandioca cozidas, e um feijãozinho com óleo de palma.
A tarde foi curta para tudo o que precisava fazer. O dia previa-se longo.
O jantar na Ilha e umas horitas de animação no Chill Out tornam os primeiros dias mais leves.
No domingo finalmente iria conhecer o Mussulo. O plano era uma sardinhada.
Claro que num fim de semana assim não há lugar para o sono!
Foi muito bom.
Qdo regressei a casa à noite estava mesmo a precisar de uns dias de descanso para recuperar.

A primeira semana

Foi dureza.

Apesar de já ter visitado o país algumas vezes, a perspectiva é diferente quando sabemos que é por aqui que queremos ficar nos próximos temos. (Quereremos? Ou tudo não passou de um equívoco?)
A casa vazia à noite.
O barulho do ar condicionado e do gerador.
A luz que fica acesa no exterior do quarto toda a noite, para que o segurança nos possa guardar.
Tudo torna as certezas em dúvidas. E as noites longas.Durante o dia é mais fácil. O trabalho, apesar de similar ao que fiz em Portugal, aqui torna-se um grande desafio.
Conquistar a empresa, a equipa. Dominar os procedimentos e mostrar trabalho mantêm a cabeça ocupada. Saber que posso fazer alguma diferença.... eu adoro desafios.
E conduzir?
Decidi-me rapidamente a dar esse passo, pois ficar em casa sem carro é similar a estar preso. Não podemos sair a pé. Nem para comprar pão no supermercado que fica a 500mts. Não era opção.
Mas a primeira vez foi um stress. O Jimmy é um jipe todo catita. Como eu digo: de gaja. Não podia estragá-lo na primeira viagem.O percurso ainda não estava muito claro na minha cabeça. E combinei com uns amigos fazer compras porque faltava tudo em casa.
Ia nervosa? Muito.
Correu bem? Também.
Fui ao Jumbo, e cheguei sã e salva a casa.
Dizem que o que não nos mata, torna-nos mais fortes. Concordo plenamente.
Daqui para a frente só podia melhorar.

À chegada

.. esperava-me o Manuel.
Aquele sorriso que me é familiar esperava-me na multidão que se amontoa na saída do aeroporto.
Foi ele que me levou ao local que a partir de agora chamarei de "A minha casa".
Num largo que certamente era muito simpático até eu nascer. Mas que agora tem muito por onde melhorar.
Num casinha simpática, ainda do tempo colonial, mas cujos "melhoramentos" sucessivos foi alterando a arquitectura.
As obras deram-lhe um ar renovado.
Mas quase vazia, apesar de terem trocado todos os moveis, louça nova, TV, leitor de DVD(que ainda não funcionam, faltam cabos, dizem eles), máquina de café, micro-ondas. Luxos em Angola.
Foi pena terem esquecido uma faca, cávenas para o café.
Os kilos extra de bagagem ajudam a lhe dar um ar um pouquinho mais acolhedor. E um dia vão chegar uns contentores com coisas catitas para que me sinta mais "em casa".

Sou uma pessoa com sorte

Por vezes (muitas) sou uma pessoa de sorte.
Viajo muito mas já não me recordava de o fazer sozinha.
A incógnita da companhia de viagem. Afinal são muitas horas para se dormir com um desconhecido.
Se llamava Miguel y venia de España.
Um senhor com idade para ser meu pai.
Com 10 anos de Angola, mas outros da Nigéria e da Venezuela.
Trabalha no mundo do "ouro negro", no Soyo.
A sua simpatia e conversa ligeira ajudou-me a acalmar a anisedade da entrada no avião, e a espera na sala da alfândega do aeroporto 4 de Fevereiro.
Há pessoas com quem provavelmente não voltaremos a cruzar-nos, cujo nome provavelmente esqueceremos, mas de quem sempre guardaremos uma boa recordação....

O dia D

Tento não pensar muito no significado deste dia.
Os preparativos de última hora, o almocinho com "os meus amores".
A dor da despedida. O friozinho no estômago.
Será que tomei a decisão certa? Neste momento parece que não. Dói.... o medo... a ansiedade.....
Tento não mostrar mas a vontade é de cancelar tudo.
Duas lagrimitas, a que outras se juntarão mais tarde num lugar escondido do aeroporto.
Mas agora não posso fraquejar!
A decisão foi muito ponderada, e racionalmente é uma boa decisão.
Tenho que dar este passo sob pena de o resto da vida me lamentar de não ter tentado.
Posso fracassar.
Posso concluir que me enganei.
Posso cometer um grande erro.
Mas não posso deixar de tentar!

04/01/2009

A preparação

Como se prepara alguém para partir para África?




  • Marcar a viagem. Sem o bilhete de avião não se resolve nada.
  • Ir à consulta de medicina tropical. As vacinas da febre amarela e tétano são obrigatórias. Opcionais são: Febre tifóide, hepatite A, hepatite B, Cólera e a Profilaxia contra o Paludismo/Malária. Os restantes conselhos do médico também são importantes.
  • O visto. Com muita antecedência reúne-se um conjunto de documentos necessário para o tão desejado autocolante no passaporte. As fotos, o registo criminal, o convite de uma entidade angolana, a prova da compra de USD, o boletim de vacinas.... um monte de papelada. E fazer "figas" para que não venha recusado.
  • A visita da todos os médicos para consultas de rotina. Não vá o diabo tecê-las.... e as compras de medicamentos em doses "industrais" não vá haver rupturas de stock...
  • Compras. A mala (deverei "falar" no plural?) prevê-se pesada. A lista de bens de primeirissima necessidade é extensa. Sabemos que em Angola se consegue tudo. Mas a que preço????
  • Não esquecer de deixar uma procuração... coisas básicas como levantar uma carta registada... alguém vai ser sacrificado com as "secas"....
Está quase tudo preparado. Mas será que algo nos prepara para uma aventura destas?

Morre lentamente

Morre lentamente,quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música,quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente,quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente,quem se transforma em escravo do hábito,repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca,não se arrisca a vestir uma nova cor, ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente,quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente,quem evita uma paixão,quem prefere o negro sobre o branco eos pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções,justamente as que resgatam o brilho dos olhos,sorrisos dos bocejos,corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente,quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente,quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente,quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,não pergunta sobre um assunto que desconhece,ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,recordando sempre que estar vivoexige um esforço muito maior que o simples facto de respirar.
Pablo Neruda