28/05/2009

As voltas que a vida dá


A vida às vezes surpreende-nos. E as pessoas ainda mais.
A ligeireza com que dão palpites, como opinam sobre as nossas escolhas, como avaliam as nossas decisões. A moral com que criticam!
Quem tem tanta moral para criticar os outros, para se intrometer na vida dos outros, certamente o faz porque não tem telhados de vidro.... Será?
Lamento mas compreendo.
Foram poucas semanas mas muito boas. E no momento que mais precisei tive ao meu lado o apoio necessário.
Não dá mais? A vida continua.
“Pedras no caminho? Guardo todas. Um dia vou construir um castelo.”

23/05/2009

Animação nocturna

Esta noite houve tiros na minha pracinha simpática.
O primeiro instinto foi deitar-me no chão. O coração bateu mais forte, mas foi só. Dois minutos depois dormia de novo.
De manhã o segurança informou que a polícia perseguia alguém. Mas não posso dar muita importância a uma situação que é frequente por cá.
É tudo uma questão de hábito.
Há que manter a atitude positiva, tentando não estar no lugar certo na hora errada.

21/05/2009

A crise também se sente em Angola


Afinal é mesmo global esta crise e já se sente aqui. O crescimento desacelerou, a reconstrução viu diminuído o seu ritmo, as compras baixam.
Porque a fonte de riqueza, os recursos naturais têm nos mercados mundiais preços inferiores, as receitas que entram no país reduziram substancialmente. Vai ser revisto o orçamento em baixa, será efectuada a reprogramação dos investimentos públicos e haverá uma diminuição das despesas orçamentadas.
Todo o mundo encara os negócios com uma cautela acrescida.
Paralelamente as “verdinhas” escasseiam”. Os bancos dificultam as transferências.
O receio instala-se.

14/05/2009

Aos meus amigos....


um GRANDE xi-coração.
E um pedido de desculpas a quem não consegui ver, com quem não consegui estar (um dia vão perceber).
Mas, amigos são como as estrelas, podemos não as ver mas sabemos que estão lá.

De volta ao paraíso tropical

Quase um mês após a partida, estou de volta a este paraíso tropical que é Angola.
Sim, eu tinha saudades!
Tinha saudades:
Do sorriso das pessoas que me acolhem com um "seja bem vinda"!
Do calor.
Do meu palácio na pracinha.
Da praia.
Do Chill Out.
etc, etc, etc.

Não senti falta nenhuma:
Do trânsito.
De chegar ao supermercado e não haver aqueles produtos que em PT estão garantidos.
De querer comprar um cartão de telemóvel e estarem esgotados.

As manhãs são mais duras porque ainda não me habituei a este horário. Mas a ideia de que terei dois fins de semana prolongados à frente ajuda. Ai se ajuda.

12/04/2009

Páscoa


Nestes períodos festivos sente-se mais a ausência da família. Por cá nota-se que “meio mundo” partiu.
Mas sobrou “outro meio” e aí sente-se a solidariedade, a amizade. Somos convidados a juntar-nos a grupos que não querem sentir-se sós.
Dizem que “os amigos são a família que nós escolhemos, porque a outra nos é imposta”.
E num domingo de Páscoa convivemos com a “nova família” à volta da mesa onde se encontra o pão-de-ló e as amêndoas. O strogonof não é um prato típico da época, mas estava muito bom.
A tarde é passada em redor da piscina numa conversa animada.
Estes são os dias mais difíceis. Mas sê-lo-ão de facto?

11/04/2009

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas ...que já têm a forma do nosso corpo ...E esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares ...É o tempo da travessia ...E se não ousarmos fazê-la ...Teremos ficado ... para sempre ...à margem de nós mesmos..."
Fernando Pessoa

05/04/2009

Arca de Noé


Este fim de semana o meu Jimmy foi a arca de Noé.
Embora já tivesse visto chover, nunca tinha andado na rua nessas alturas. Mas no sábado fui apanhada na praia e tinha que sair dali.
Não há descrição suficientemente fiel ao cenário.
Em pouco tempo todas as ruas ficaram inundadas. Sentia-me a conduzir num lago, mas o jipe não tinha remos.
Bem, lago não é a melhor comparação. A corrente era tão forte que a água fazia ondas na estrada. Mais ondas do que o mar tinha nesse dia. Qualquer carro ligeiro ficava meio submerso na água, ou antes, na lama.
O medo era entrar água no motor e o carro parar. Sentia-se a tensão no ar. O suspanse. Mas eu estava confiante. Sou optimista por natureza e achava que tudo iria correr bem. Inconsciência? Talvez….
No final cheguei sã e salva à zona alta da cidade.
Tudo ficou mais limpo neste fim de semana. Mas as ruas têm uma nova organização: o lixo, pedras, troncos, pararam noutro lugar. Há novos buracos.
E o céu está mais azul!

Contagem decrescente


Já estou em contagem decrescente para o regresso.
Um período de reflexão, de balanço.
Se me adaptei?
Perfeitamente.
Tenho saudades de pessoas, coisas, rotinas.....
Mas em troca conquistei novos amigos, novas rotinas. Viver bons momentos....a aventura, o conhecimento de uma nova cultura, uma forma de estar tão diferente da que conhecia.
Os bens materiais não são prioridade cá. O que falta, será que é assim tão importante?(de qualquer forma a lista de compras a fazer na Europa cresce diáriamente)
Mas aqui valorizamos outras coisas.
Há quem chame a este fenómeno "big brother". Não consigo discordar.
Questionam-me se volto depois das férias.Se vale a pena? Se posso deixar tudo uma vez mais?
E eu questiono-me: será que eu consigo partir já?
Porque a partida é certa. Um dia vou regressar. Mas quando?

01/04/2009

Filas

A minha profissão não me permite andar muito pela rua. Há quem diga que me encontro numa redoma de vidro. Uma salinha fresca num recanto calmo da empresa, ligada ao mundo através da net e telefone…. Não podia querer melhor.
Saí em trabalho poucos dias desde que estou cá.
Hoje foi um deles. Fui visitar uma loja do grupo nos arredores. Deve estar a 10/15km do centro da cidade. Demorei uma hora e meia a chegar lá, e mais de 2 horas a regressar.
Nessas viagens, no tempo que estamos parados no trânsito, se prestarmos um pouco de atenção, percebemos um pouco da vida agitada de Luanda. Divirto-me a ver as “montras ambulantes” que se escapam por entre os carros.
Antes também aproveitava para pôr a conversa em dia com as amigas, mas isso passou a ser proibido a partir de 1 de Abril.
E a princesa hoje que se lembra de fazer?
Pintar as unhas, está-se mesmo a ver. Aproveitar o tempo livre!

28/03/2009

Adiar a partida


Ando ausente..... mas apenas porque o trabalho está "tão interessante" que não me deixa tempo para mais nada.

Mas corre bem. Tudo corre: o trabalho, o tempo....correm muito depressa.

E as férias.. essas não correm.. deslizam suavemente no calendário para uns dias mais tarde. Uns dez dias mais tarde.

Tenho que aproveitar o visto até ao fim para deixar o máximo de "obra feita" pois o período que terei que aguardar em PT pelo novo visto, prevê-se longo.

24/03/2009

Bendito seja quem inventou o descanso

Sua Santidade partiu. Mas não antes de nos deixar dois feriados extra...4 dias de praia fantásticos.
É uma pena que visitas importantes não sejam mais frequentes.
Será que o Dalai Lama gostava de visitar Angola?

19/03/2009

Sua santidade O Papa II

Vir a África dizer que o uso do preservativo não só não ajuda a resolver o problema da SIDA, como aumenta a dimensão do problema, é irresponsável.... ou antes: é pura maldade!

"Cerca de 22 milhões de pessoas estão infectadas na África Subsaariana, onde morrem três quartos das vítimas de SIDA no mundo inteiro."

15/03/2009

Sua Santidade O Papa


O Papa Bento XVI chega a Luanda na próxima 5ª feira 19 Março.

Vem abençoar este povo, e a nós e mais uns milhares de estrangeiros que por cá vivem e lutam constantemente pelo crescimento, evolução, reconstrução deste país.

Luxos II

Ontem senti-me tentada e não resisti.
Iogurte líquido Danone a 3,5€/un.

12/03/2009

A mulher em Angola


Esta semana foi mais pequena. Tivemos o feriado do Dia da Mulher. O feriado na realidade foi domingo, mas aqui temos mesmo que usufruir dele, nessas situações transita para a 2ª feira.
Em Angola a Mulher tem muito valor.
As mulheres por cá começam por levar o país nas costas. Literalmente!
Criam os filhos... muitos...
E fazem mover esta economia.
As zungueiras passam o dia na rua a vender de tudo, vão andando com caixas, bacias...oferecendo os seus produtos. Vão zungando... é uma parte do que chamamos "comércio informal".
É frequente vê-las com os filhos nas costas, a bacia na cabeça e outras nas mãos.
Vêm de longe, de madrugada, para o centro da cidade e ficam na luta até muito tarde.
Elas equilibram os magros orçamentos familiares, quando não são o sustento de uma família.
Dizem.... que cá elas mandam, mesmo que deixem que os homens pensem o contrário.
E mesmo quando não são a 1ª, é frequente fazerem valer os seus direitos....

05/03/2009

Rupturas de stock

Se abastecer o carro na bomba pode ser uma tarefa difícil, imaginem quando não existe gasolina nas bombas….
Para piorar o cenário o Jimmy está na reserva e o depósito é pequenino.
Solução: temos que “agilizar”.
Um moço da rua foi comprar um bidão de gasolina no mercado informal. Também já temos o funil. Agora é só aguardar que tudo corra bem e que no bidão venha só gasolina mesmo.
Aqui em Angola há uma visão extraordinária para o negócio. Há sempre uma forma de ganhar dinheiro, basta querer trabalhar um pouco. Tudo se vende, tudo se compra….

01/03/2009

O primeiro contentor chegou


E a princesa de Luanda (como me chamam algumas amigas) está quase Feliz! Porque após várias semanas de promessas, finalmente foi confirmado: encontraram as minhas caixinhas.
Mas aqui em Angola tudo tem a sua dinâmica. Tudo leva o seu tempo. Tempo que temos que aprender a respeitar, para não gastar as nossas energias à toa, nem ganhar rugas, cabelos brancos e mau humor desnecessariamente. Aprende-se a aceitar.
A esta fase podemos chamar de “Angolanização”. É a fase em que me encontro, e diz quem sabe, com muito sucesso.
Por isso é que o contentor chegou ao armazém na 6ª, mas as caixinhas foram descarregadas no sábado.
E se me perguntarem se chegaram ao palácio, responderei: Ainda!


Pequeno detalhe: o "tal" contentor embarcou em Leixões em meados de Novembro. Só falta chegar o que, por engano, embarcou em meados de Janeiro

Dores no corpo

Esta foi uma semana dura. Porque eu tenho MUITO trabalho e tento manter a mesma produtividade que teria numa semana normal, nesta que teve apenas 4 dias úteis.
E porque não me dou descanso!
Depois de acordar às 6 da manhã, trabalhar umas 10/11horas ainda arranjo energia para ir ao ginásio. E fazer aulas como se não houvesse amanhã.
Todos os músculos doem, mesmo aqueles que não sabia existirem….
E quando essas dores estão a passar, resolvo dançar até não conseguir mexer mais os pézinhos…..
E deixam de doer uns músculos para começar a sentir todos os outros.
Mas são dores boas, dores que aliviam a alma.