03/09/2009
31/08/2009
Ontem foi dia de festa

30/08/2009
27/08/2009
De volta à liberdade

Florbela Espanca
21/08/2009
Virtudes
19/08/2009
Detesto pessoas
14/08/2009
dor é inevitável. sofrimento é opcional

sofremos porquê? .. porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projecções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido, por todos os beijos cancelados.
sofremos não porque nosso trabalho é desgastante, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar. sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada. como aliviar a dor do que não foi vivido?
a resposta é simples: se iludindo menos e vivendo mais!!
a cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.
dor é inevitável. O sofrimento é opcional...”
Carlos Drummond de Andrade
13/08/2009
E não é que não vou poder aparecer?
10/08/2009
O dia em que me tornei criminosa

O que eu não estava a contar era tornar-me criminosa com tanta facilidade.
Num dia somos pessoas sérias, no seguinte somos trabalhadores ilegais. Passado uns meses estamos a subornar a autoridade e poucos dias depois somos criminosos.
Imigrantes ilegais eram histórias que os outros contavam. Daquelas situações que acreditamos nunca nos acontecer. Mas aconteceu comigo.
Será que se pode dizer que ando fugida à Polícia? Ou que gostaria de ser invisível? Que queria passar despercebida? Que agradeço nem se lembrem de me parar no trânsito. E muito menos me pedir o passaporte.
Como boa portuguesa, tento ver o lado positivo: aqui tudo tem o seu preço!
É uma questão de ir dar um passeio no carro da Polícia e me darem o 24/20.
Traduzindo: 24 horas para sair do país com uma malita de 20 kgs.
07/08/2009
Ainda bem que é 6ª feira
03/08/2009
Obras

Decidimos dar um novo look às portas dos quartos e às janelas, que passaram do castanho para o branco. A perícia é tanta, que parecem lacadas. A 2ª “de mão” vai ser dada na próxima semana. Mas têm já muito melhor aspecto.
Quais princesas?
O Francisco (segurança do palácio) diz que podemos ir trabalhar nas obras, que se ganha bom salário!
30/07/2009
Sonhar acordada

29/07/2009
Como acham que eu vou ficar?

- As melhores festas do Verão!
- Os melhores amigos do Mundo!
- Um pôr do sol fantástico como o calor algarvio!
- Moranguitos deliciosos!
22/07/2009
20/07/2009
Infelizmente não aconteceu só comigo

A diferença é que não negociei. Dei 2.000 e nem pedi troco....
http://afonsoloureiro.net/blog/?p=2767
17/07/2009

16/07/2009
Mãe

A minha mãe não tem que se esforçar para ser boa mãe. Não tem que se esforçar para ser boa pessoa. Porque tudo o que faz vem do coração.
Sempre a admirei e respeitei. Não porque se impõe (não tenho memória de o ter feito nunca) mas por aquilo que é para mim, pelo que fez de mim, pela capacidade de não me julgar precipitadamente, por compreender os meus erros e por me apoiar incondicionalmente em todas as decisões (quer concorde ou discorde delas).
Se eu quiser recordar um momento em que me marcasse pela negativa, não consigo.
O amor, cumplicidade, carinho estão sempre presentes. Mesmo longe, está presente na minha vida, e sempre disponível para mim.
Sempre esteve ao meu lado nos momentos importantes da minha vida. Nos bons momentos, mas principalmente nos maus. Já a fiz sofrer muito, mas apoiou-me de cabeça erguida, e com uma força que inspira qualquer pessoa.
Posso tentar, mas nunca conseguirei dizer tudo de bom que sinto por ela.
Obrigada mãezinha, por tudo, em especial por fazeres de mim uma melhor pessoa.
14/07/2009
Ou isto ou aquilo

Ou se calça a luva e não se põe o anel, ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão, quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa estar ao mesmo tempo nos dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce, ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo, se saio correndo ou fico tranquilo.
Mas não consegui entender ainda qual é melhor: se é isto ou aquilo.
Cecília Meireles
06/07/2009
ANGOLA (PAÍS NOVO)
Vou contar-vos a história de um povo
Que tem tudo para sorrir de novo
Vou falar-vos da velha coragem
Sacrifícios e muitas viagens
Vou falar do soldado tombado
Anulando o sorriso rasgado
Do Kandengue que sofreu calado
E do povo que estava cansado
Vou falar desta terra de glórias
Nossa Angola de muitas memórias
Vou falar de um povo que quis
Finalmente agora feliz
Vou mostrar-vos uma nova terra
Agora sem guerra
Angola, do meu coração
Mangolé não se deixa
Não vacila a hora é essa
Dá-me a tua mão
Para junto comigo bombar
Nossa Angola juntos levantar
Angola, do meu coração
Vou falar do artista sofrido
Que pintou 30 anos de guerra
finalmente hoje tem a honra
De pintar anos brancos de paz
Vou falar deste crack Montorras
Dos goloços nosso Akua
Mano brincadeira tem hora
Paz e alegria aqui mora
Vou falar pra você que emigrou
Na esperança de vida melhor
Olha que nosso povo te espera,
ai nosso povo te espera
Vou falar do meu povo de novo
Sem esquecer no crack Sayovo
Vou falar-vos dos palancas negras
Os donos do meu coração
Vou falar do pula que ficou
No gingado desta negra Angolana
Para Europa nunca mais vazou
Com a garina do Marçal ficou
Vou mostrar-vos uma nova terra
Agora sem guerra
Angola, do meu coração
Mangolé não se deixa
Não vacila a hora é essa
Dá-me a tua mão
Para junto comigo bombar
Nossa Angola juntos levantar
Angola, do meu coração
Letra e Música: Matias Damásio
02/07/2009
Existe povo mais carinhoso?

São formas carinhosas de tratar uma mulher.
Nalguns casos, porque nos vão pedir algo. Mas não todos.
Ensinou-me o Francisco (um dos seguranças do palácio) que o que damos, recebemos em troca. Tento que o cansaço, o stress, os problemas, não me façam esquecer isso. Porque trazer amor e carinho no coração é muito mais leve que trazer ressentimentos e tristeza.
30/06/2009
25/06/2009
23/06/2009
S. João

Leve no ar flutua
Doce cheiro a manjerico
É S. João na rua
Convidando ao bailarico.
Às flores da Primavera
Vem logo o calor do Verão,
A seguir ao S. António
Vem sempre o S. João.
Já fiz à espera do sim
Promessas a São João,
P'ra que ao passares por mim
Tires os olhos do chão.
Ò meu rico São João
Relíquia do velho Porto,
Ando louco de paixão...
Dá-me um pouco de conforto!
Fiz um altar de algodão
Com muito amor e carinho,
Para albergar São João
Junto com seu borreguinho.
O meu amor foi-se embora,
Como sofre o coração!
Não sei que fazer agora,
Ajudai-me S. João.
Ó Amor dá-me os teus braços
Qu’eu dou-te o meu coração
Ando preso em abraços
Nas fogueiras de S. João
No altar do S. João
Nasceu uma cerejeira..
Quem seria o bem-ditoso
Que lhe comeu a primeira
Na noite de S. João
Diz o manjerico à Lua
Ai que pena teres raízes
Não ir passear para a rua
Perguntei ao manjerico
Que pus na minha varanda
Onde está o meu amor.
Nem ele sabe onde anda...
(Obrigada Mr. M)
17/06/2009
Descanso
10/06/2009
10 de Junho

E de repente eu faço parte desse grupo designado “comunidade portuguesa em Angola”.
Na viagem de regresso a casa ouvia na rádio um programa dedicado ao dia que se celebrava em Portugal. E questionava-me se lá na tuga fariam programas assim.
Ouviu-se música portuguesa e declamou-se poesia. O canto I dos Lusíadas não faltou.
O espectáculo da noite foi Mariza no Cine Atlântico, que tinha passado lá na rádio para uma entrevista e cantar as suas cantigas.
E eu senti-me emigrante. (Sim! Porque nos chamam de expatriados, mas somos também emigrantes.)
E senti saudades……..
28/05/2009
As voltas que a vida dá

A ligeireza com que dão palpites, como opinam sobre as nossas escolhas, como avaliam as nossas decisões. A moral com que criticam!
Quem tem tanta moral para criticar os outros, para se intrometer na vida dos outros, certamente o faz porque não tem telhados de vidro.... Será?
Lamento mas compreendo.
Foram poucas semanas mas muito boas. E no momento que mais precisei tive ao meu lado o apoio necessário.
Não dá mais? A vida continua.
“Pedras no caminho? Guardo todas. Um dia vou construir um castelo.”
23/05/2009
Animação nocturna
O primeiro instinto foi deitar-me no chão. O coração bateu mais forte, mas foi só. Dois minutos depois dormia de novo.
De manhã o segurança informou que a polícia perseguia alguém. Mas não posso dar muita importância a uma situação que é frequente por cá.
É tudo uma questão de hábito.
Há que manter a atitude positiva, tentando não estar no lugar certo na hora errada.
21/05/2009
A crise também se sente em Angola

Porque a fonte de riqueza, os recursos naturais têm nos mercados mundiais preços inferiores, as receitas que entram no país reduziram substancialmente. Vai ser revisto o orçamento em baixa, será efectuada a reprogramação dos investimentos públicos e haverá uma diminuição das despesas orçamentadas.
Todo o mundo encara os negócios com uma cautela acrescida.
Paralelamente as “verdinhas” escasseiam”. Os bancos dificultam as transferências.
O receio instala-se.
14/05/2009
Aos meus amigos....
De volta ao paraíso tropical
Quase um mês após a partida, estou de volta a este paraíso tropical que é Angola.
Sim, eu tinha saudades!
Tinha saudades:
Do sorriso das pessoas que me acolhem com um "seja bem vinda"!
Do calor.
Do meu palácio na pracinha.
Da praia.
Do Chill Out.
etc, etc, etc.
Não senti falta nenhuma:
Do trânsito.
De chegar ao supermercado e não haver aqueles produtos que em PT estão garantidos.
De querer comprar um cartão de telemóvel e estarem esgotados.
As manhãs são mais duras porque ainda não me habituei a este horário. Mas a ideia de que terei dois fins de semana prolongados à frente ajuda. Ai se ajuda.
28/04/2009
12/04/2009
Páscoa

Mas sobrou “outro meio” e aí sente-se a solidariedade, a amizade. Somos convidados a juntar-nos a grupos que não querem sentir-se sós.
Dizem que “os amigos são a família que nós escolhemos, porque a outra nos é imposta”.
E num domingo de Páscoa convivemos com a “nova família” à volta da mesa onde se encontra o pão-de-ló e as amêndoas. O strogonof não é um prato típico da época, mas estava muito bom.
A tarde é passada em redor da piscina numa conversa animada.
Estes são os dias mais difíceis. Mas sê-lo-ão de facto?
11/04/2009
Fernando Pessoa
05/04/2009
Arca de Noé

Embora já tivesse visto chover, nunca tinha andado na rua nessas alturas. Mas no sábado fui apanhada na praia e tinha que sair dali.
Não há descrição suficientemente fiel ao cenário.
Em pouco tempo todas as ruas ficaram inundadas. Sentia-me a conduzir num lago, mas o jipe não tinha remos.
Bem, lago não é a melhor comparação. A corrente era tão forte que a água fazia ondas na estrada. Mais ondas do que o mar tinha nesse dia. Qualquer carro ligeiro ficava meio submerso na água, ou antes, na lama.
O medo era entrar água no motor e o carro parar. Sentia-se a tensão no ar. O suspanse. Mas eu estava confiante. Sou optimista por natureza e achava que tudo iria correr bem. Inconsciência? Talvez….
No final cheguei sã e salva à zona alta da cidade.
Tudo ficou mais limpo neste fim de semana. Mas as ruas têm uma nova organização: o lixo, pedras, troncos, pararam noutro lugar. Há novos buracos.
Contagem decrescente

01/04/2009
Filas
Saí em trabalho poucos dias desde que estou cá.
Hoje foi um deles. Fui visitar uma loja do grupo nos arredores. Deve estar a 10/15km do centro da cidade. Demorei uma hora e meia a chegar lá, e mais de 2 horas a regressar.
Nessas viagens, no tempo que estamos parados no trânsito, se prestarmos um pouco de atenção, percebemos um pouco da vida agitada de Luanda. Divirto-me a ver as “montras ambulantes” que se escapam por entre os carros.
Antes também aproveitava para pôr a conversa em dia com as amigas, mas isso passou a ser proibido a partir de 1 de Abril.
E a princesa hoje que se lembra de fazer?
Pintar as unhas, está-se mesmo a ver. Aproveitar o tempo livre!
28/03/2009
Adiar a partida

24/03/2009
Bendito seja quem inventou o descanso
É uma pena que visitas importantes não sejam mais frequentes.
Será que o Dalai Lama gostava de visitar Angola?
19/03/2009
Sua santidade O Papa II
"Cerca de 22 milhões de pessoas estão infectadas na África Subsaariana, onde morrem três quartos das vítimas de SIDA no mundo inteiro."
15/03/2009
Sua Santidade O Papa
12/03/2009
A mulher em Angola
05/03/2009
Rupturas de stock
Para piorar o cenário o Jimmy está na reserva e o depósito é pequenino.
Solução: temos que “agilizar”.
Um moço da rua foi comprar um bidão de gasolina no mercado informal. Também já temos o funil. Agora é só aguardar que tudo corra bem e que no bidão venha só gasolina mesmo.
Aqui em Angola há uma visão extraordinária para o negócio. Há sempre uma forma de ganhar dinheiro, basta querer trabalhar um pouco. Tudo se vende, tudo se compra….
01/03/2009
O primeiro contentor chegou
Mas aqui em Angola tudo tem a sua dinâmica. Tudo leva o seu tempo. Tempo que temos que aprender a respeitar, para não gastar as nossas energias à toa, nem ganhar rugas, cabelos brancos e mau humor desnecessariamente. Aprende-se a aceitar.
A esta fase podemos chamar de “Angolanização”. É a fase em que me encontro, e diz quem sabe, com muito sucesso.
Por isso é que o contentor chegou ao armazém na 6ª, mas as caixinhas foram descarregadas no sábado.
E se me perguntarem se chegaram ao palácio, responderei: Ainda!
Pequeno detalhe: o "tal" contentor embarcou em Leixões em meados de Novembro. Só falta chegar o que, por engano, embarcou em meados de Janeiro
Dores no corpo
E porque não me dou descanso!
Depois de acordar às 6 da manhã, trabalhar umas 10/11horas ainda arranjo energia para ir ao ginásio. E fazer aulas como se não houvesse amanhã.
Todos os músculos doem, mesmo aqueles que não sabia existirem….
E quando essas dores estão a passar, resolvo dançar até não conseguir mexer mais os pézinhos…..
E deixam de doer uns músculos para começar a sentir todos os outros.
Mas são dores boas, dores que aliviam a alma.
22/02/2009
Luxos

16/02/2009
Abastecimento

13/02/2009
Esta noite choveu

Numa outra visita a Luanda, em que andavamos acompanhadas de motorista, começamos a ver uns pingos de chuva comentamos: "Está a chover!"
Diz o motorista: "Senhora, isso não é chuva. Veja. As mulheres e crianças não saem da rua."
Ele tinha razão.
Esta noite, de facto, choveu. E apesar do sono pesado, deu para acordar com o barulho do dilúvio.
Hoje está tudo mais limpo e fresco.
Dizem que quem vê chover em Angola, quem sente o cheio da terra molhada, não consegue mais afastar-se deste país.
Há qualquer coisa que nos prende.... mas se eu ainda não tinha sentido a chuva......
12/02/2009
Já tenho companhia!
A primeira vez em a Angola.
É giro ver as certezas que as pessoas "trazem na bagagem". Já ouviram tudo, já esperam tudo. Teoria!
Modéstia à parte, tem muita sorte de me ter à espera. Digo eu....
10/02/2009
O Adilson

E foi o dia em que conheci o Adilson.
Já o tinha visto por ali, mas sem lhe prestar muita atenção. Não tem mais que 8/9 anos, uma cara laroca, uns olhos meigos.
A: “É você a mádrinha do Suzuki?”
H: Sim, sou eu. Como sabes?
A: “Disculpa…. eu dêcorei esse sinal…..”
Uma ternura. Acho que o Adilson vai ser a minha companhia diária na curta distância que separa o ginásio do estacionamento.
Agrada-me essa ideia.
05/02/2009
O feriado de 4 de Fevereiro
+ss.jpg)

01/02/2009
Quanto ao primeiro fim de semana...
E não é ao meio dia. Por cá os dias têm mesmo 24 horas.
Às 14h00 almoçei com o meu novo grupo de amigos, no Quinta da Tia Guida. Uma garoupa grelhada acompanhada de batata doce, banana e mandioca cozidas, e um feijãozinho com óleo de palma.
A tarde foi curta para tudo o que precisava fazer. O dia previa-se longo.
O jantar na Ilha e umas horitas de animação no Chill Out tornam os primeiros dias mais leves.
No domingo finalmente iria conhecer o Mussulo. O plano era uma sardinhada.
Claro que num fim de semana assim não há lugar para o sono!
Foi muito bom.
Qdo regressei a casa à noite estava mesmo a precisar de uns dias de descanso para recuperar.
A primeira semana
Apesar de já ter visitado o país algumas vezes, a perspectiva é diferente quando sabemos que é por aqui que queremos ficar nos próximos temos. (Quereremos? Ou tudo não passou de um equívoco?)
A casa vazia à noite.
O barulho do ar condicionado e do gerador.
A luz que fica acesa no exterior do quarto toda a noite, para que o segurança nos possa guardar.
Tudo torna as certezas em dúvidas. E as noites longas.Durante o dia é mais fácil. O trabalho, apesar de similar ao que fiz em Portugal, aqui torna-se um grande desafio.
Conquistar a empresa, a equipa. Dominar os procedimentos e mostrar trabalho mantêm a cabeça ocupada. Saber que posso fazer alguma diferença.... eu adoro desafios.
E conduzir?
Decidi-me rapidamente a dar esse passo, pois ficar em casa sem carro é similar a estar preso. Não podemos sair a pé. Nem para comprar pão no supermercado que fica a 500mts. Não era opção.
Mas a primeira vez foi um stress. O Jimmy é um jipe todo catita. Como eu digo: de gaja. Não podia estragá-lo na primeira viagem.O percurso ainda não estava muito claro na minha cabeça. E combinei com uns amigos fazer compras porque faltava tudo em casa.
Ia nervosa? Muito.
Correu bem? Também.
Fui ao Jumbo, e cheguei sã e salva a casa.
Dizem que o que não nos mata, torna-nos mais fortes. Concordo plenamente.
Daqui para a frente só podia melhorar.
À chegada
Aquele sorriso que me é familiar esperava-me na multidão que se amontoa na saída do aeroporto.
Foi ele que me levou ao local que a partir de agora chamarei de "A minha casa".
Num largo que certamente era muito simpático até eu nascer. Mas que agora tem muito por onde melhorar.
Num casinha simpática, ainda do tempo colonial, mas cujos "melhoramentos" sucessivos foi alterando a arquitectura.
As obras deram-lhe um ar renovado.
Mas quase vazia, apesar de terem trocado todos os moveis, louça nova, TV, leitor de DVD(que ainda não funcionam, faltam cabos, dizem eles), máquina de café, micro-ondas. Luxos em Angola.
Foi pena terem esquecido uma faca, cávenas para o café.
Os kilos extra de bagagem ajudam a lhe dar um ar um pouquinho mais acolhedor. E um dia vão chegar uns contentores com coisas catitas para que me sinta mais "em casa".
Sou uma pessoa com sorte
Viajo muito mas já não me recordava de o fazer sozinha.
A incógnita da companhia de viagem. Afinal são muitas horas para se dormir com um desconhecido.
Se llamava Miguel y venia de España.
Um senhor com idade para ser meu pai.
Com 10 anos de Angola, mas outros da Nigéria e da Venezuela.
Trabalha no mundo do "ouro negro", no Soyo.
A sua simpatia e conversa ligeira ajudou-me a acalmar a anisedade da entrada no avião, e a espera na sala da alfândega do aeroporto 4 de Fevereiro.
Há pessoas com quem provavelmente não voltaremos a cruzar-nos, cujo nome provavelmente esqueceremos, mas de quem sempre guardaremos uma boa recordação....
O dia D
Os preparativos de última hora, o almocinho com "os meus amores".
A dor da despedida. O friozinho no estômago.
Será que tomei a decisão certa? Neste momento parece que não. Dói.... o medo... a ansiedade.....
Tento não mostrar mas a vontade é de cancelar tudo.
Duas lagrimitas, a que outras se juntarão mais tarde num lugar escondido do aeroporto.
Mas agora não posso fraquejar!
A decisão foi muito ponderada, e racionalmente é uma boa decisão.
Tenho que dar este passo sob pena de o resto da vida me lamentar de não ter tentado.
Posso fracassar.
Posso concluir que me enganei.
Posso cometer um grande erro.
Mas não posso deixar de tentar!
S.jpg)











+S.jpg)


